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#4 – Crash, no limite: senso comum ou crítica individual?

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Diferente da maioria dos filmes que vemos, Crash é, sem dúvida, peculiar. Seu roteiro não possui uma trama central, mas é fragmentado em várias histórias que acontecem paralelamente, sem nenhuma ligação aparente, mas que vão se conectando no decorrer da narrativa. Essas histórias se passam em uma Los Angeles pós-11 de setembro, onde a insegurança, o medo e a desconfiança estão à flor da pele. O filme trabalha com a complexidade da personalidade humana, explorando seus limites, contradições e mudanças de atitudes dependendo de cada cenário.

A temática principal do filme é a respeito do preconceito gerado pelo medo e pela insegurança do mundo moderno. Vemos por exemplo uma personagem que após sofrer um assalto na rua, manda trocar as fechaduras de sua casa, mas entra em pânico quando descobre que o chaveiro é latino. Em determinado momento, um policial aborda um carro suspeito, onde um diretor de TV,       que é negro, comete uma pequena infração. O policial então repreende, mas comete abuso de poder ao tirar proveito da esposa do diretor. Em outro momento do filme, o policial acaba tendo uma mudança de comportamento ao encontrar essa mesma mulher debaixo de um carro em chamas, e arrisca a vida para salvá-la. São várias as cenas conexas que vão surpreendendo quem assiste, e nos colocando em cenários onde nos confrontamos com nossos próprios preconceitos.

Por exemplo, o parceiro daquele policial, reprova a atitude de racismo dele contra o casal negro, demonstrando uma ética coletiva de trabalho. Só que no final, sozinho, ele se encontra em uma situação onde exerce um forte preconceito com um rapaz negro que parece portar uma arma, e ele atira no rapaz, só pra descobrir que o garoto carregava um objeto inofensivo. Ele acaba ferindo sua ética individual, inclusive acobertando o crime.

Todos nós temos nossos preconceitos, que traduzindo, são conceitos tirados antes da hora, conclusões antecipadas ao resultado. Colocando de forma mais simples ainda, não esperamos algo acontecer para definirmos o que pensamos sobre isso. Quem nunca? Rs. O fato é que vira e meche agimos de acordo com a visão pré determinada que temos de um assunto, e acabamos descobrindo que as coisas não são como achávamos que fosse.

Das muitas lições que poderíamos tirar, a que quero destacar é que precisamos desenvolver um senso crítico ao invés de dependermos apenas do senso comum. Generalizar fatos, ou grupos étnicos, assim como estereótipos de pessoas, é um grande caminho para o preconceito e para a exclusão. Por exemplo, o senso comum diz que certos religiosos usam a pregação para manipular e extorquir seus devotos, por tanto, podemos ser levados a generalizar isso para todo e qualquer grupo religioso, afirmando que todos eles estão envolvidos com desonestidade e mentira. Mas se usarmos o senso crítico individual para analisarmos o discurso e o comportamento do grupo, e não do estereótipo, muitas vezes podemos acabar sendo surpreendidos.

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