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#24 – A Outra História Americana: colocando o eu pra morrer

Como parte de um trabalho para a escola, Danny Vineyard começa a escrever uma redação sobre a história de vida de seu irmão, Derek. O pai de ambos havia sido morto na linha de dever, protegendo um grupo minoritário, e foi justamente uma pessoa de uma minoria social que o matou. Esse fato muda radicalmente a visão de mundo de Derek e ele se torna um racista e defensor da ideologia neonazista.

Após cumprir 3 anos na prisão por ter matado 2 ladrões que tentaram roubar sua caminhonete, Derek finalmente é solto. Através da narrativa de seu irmão Danny, aprendemos que antes de ir para a cadeia, Derek se tornara um skinhead e líder de uma violenta gangue de supremacia alemã que cometia crimes racistas por toda a cidade de Los Angeles, e suas ações influenciaram Danny fortemente a seguir o mesmo comportamento.

Na cadeia, Derek rapidamente se junta a outros skinheads e supremacistas, nutrindo ainda seu ódio pelos outros. Quando ele falha em entender a sobrevivência na cadeia, ele acaba traído e violentado por aqueles que ele julgava serem seus iguais. O único que o ajuda e se solidariza com ele é um rapaz negro que no decorrer da história, após muita resistência da parte de Derek, começa a ensiná-lo a ter uma visão mais ampla do mundo e das diferenças entre as pessoas.

Regenerado e solto da prisão, Derek corta seus laços com a gangue e se torna determinado em manter Danny fora do mesmo caminho violento que ele tomou. Mas isso se mostra ser não muito fácil. O mundo de violência e acepção é muito forte e Danny está cada vez mais envolvido com os velhos parceiros de Derek.

O enredo do filme não se preocupa em dar uma resposta ou uma conclusão sobre o tema do racismo, mas sim levantar uma discussão menos superficial sobre o assunto. É importante entendermos que a acepção de pessoas é um problema muito grande na nossa realidade. Tiago, em sua carta, já exortava a seus leitores que não tratassem as pessoas com favoritismo, mas sim, enxergassem a todos como iguais. Aparentemente havia esse problema de acepção dentro da própria igreja cristã.

O comportamento daqueles jovens neonazistas do filme é um reflexo de suas próprias vidas, de sua visão de mundo. Pode parecer que não, mas em nosso dia a dia, acabamos infringindo, nem sempre no mesmo grau, mas também fazemos acepção, também tratamos os outros com parcialidade e favoritismo.

O problema do “eu”, ou seja, de colocar a mim mesmo com centro de tudo, gera em nós essa noção de associação com o que te traz vantagens e afastamento de quem possa ser um peso, uma ameaça, ou simplesmente não contribua para meu bem estar e meus interesses.

É por isso que o chamado do cristão é para ir além do próprio eu. Jesus pede que seus seguidores neguem-se a si mesmos. Que abandonem seus próprios desejos e o sirvam. O problema é que muitas vezes nós acreditamos que como cristãos, somos apenas chamados para não cometer erros, não fazer o errado. Jesus chamou seus seguidores para mais do que um compromisso passivo. Ele os ordenou que fossem ativos no evangelho, levando cuidado, justiça e igualdade para os outros menos favorecidos.

Por muito tempo, Derek colocou seu eu em primeiro lugar, julgando ser soberano em relação aos outros. A morte de seu pai desencadeou ainda mais essa visão. Mas após ser ajudado e amado por alguém que em tese era menos favorecido do que ele, alguém a quem ele odiava, e mesmo assim lhe mostrou favor, sua percepção começa a mudar e ele começa a desenvolver um papel mais ativo para o bem.

E quanto a nós? Será que no dia a dia colocamos o eu em primeiro lugar? Será que em nome de nossa sobrevivência e da manutenção de nossa religião, muitas vezes superficial, estamos mais preocupados em atender nossos desejos egoístas, ou estamos genuinamente preocupados com a recuperação da justiça e da igualdade entre nosso próximo? Tiago nos diz que quem sabe que deve fazer o bem e não faz, nisto está pecando. Que tal colocarmos nosso eu de lado e levar o Reino de Deus para as minorias que estão perto de nós?

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